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Por um movimento LGBTQI+ Antirracista e Anticapitalista (Texto de Brenda Marques)

  • Foto do escritor: Dequebra Podcast
    Dequebra Podcast
  • 30 de jun. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de set. de 2020


Dia 17 de maio é o dia internacional de combate a LGBTfobia.Neste dia, há 30 anos (1990), a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. Um grande avanço para nossa comunidade, que viveu anos de patologização social e medica. A data sempre é capaz de nos fazer refletir sobre nossos avanços e retrocessos nesse decorrer de lutas.Sou uma muher negra, bissexual e socialista e sempre uso a data para refletir sobre como é ser Lgbt e negro dentro da esquerda e principalmente dentro da comunidade LGBT.

Um dos maiores historicamente desafios teóricos da esquerda e, em especial, dos marxistas, tem sido pensar a sexualidade, as práticas sexuais, as identidades, de maneira revolucionária e por meio do materialismo dialético, sem taxações de pós-modernidade. E um dos maiores desafios da comunidade LGBT é entender a dimensão do racismo como fator significativo nas vivencias sexuais. Então vocÊs podem imaginar que vivenciar essas duas experiencias de construção e ainda lidar com suas próprias questões é muito difícil pra gente.

Pra mim existem elos que ligam minha luta bissexual, a minha luta antirracista e anticapitalista e por isso não abro mão de ser um corpo que intersecciona e levanta essas variadas questões, mais faço isso principalmente com muitas  críticas, eu quero uma comunidade Lgbt que me caiba e eu quero uma esquerda que caiba a comunidade LGBT.

Há de se compreender que nossas orientações sexuais e identidades de gênero são transgressões a essa sociedade patriarcal e conservadora. Amar uma mulher por exemplo, na heterônoma é totalmente potente, nós vivemos em uma sociedade que moldam nossos corpos e desejos nesse ideal burguês de familia, branca, mãe, pai,filho, ser mulher feminina frágil, ser homem masculino forte, tudo binário, tudo sobre vagina, pênis. E quando me percebo alguém bissexual percebo tudo isso, percebo como me relacionar com o gênero oposto me foi compulsório, e quando eu tento ultrapassar essa linha tudo pode mudar, inclusive ao atravessar essa linha além da liberdade, pode nos acometer o adoecimento , no caso principalmente de pessoas trans por seus corpos atravessarem a linha cis, a morte. 

Por ser negra a raça se torna um fator constitutivo da minha subjetividade, ser LGBT não será a mesma coisa.Por exemplo se você é negro e bissexual a piada das duas chances, se desenrolam pra se perceber a solidão da pessoa negra a partir da rejeição de mulheres e homens. É preciso compreender a dimensão da fetichização dos corpos bees em um Brasil que parte da mulheres negras são consideradas mulatas exportação, e hiper sexualizadas desde de cedo.Então qual dimensão isso tem pra uma mulher negra bee?

E ser socialista, alguém que sonha com a construção de uma outra sociedade, também é constitutivo das minhas avaliações, eu enxergo o capitalista nisso tudo,e como o capitalismo nunca vai ultrapassa a dimensão do pink money, porque é o mesmo que reforçar essa heterossexualidade sistemática para manutenção de fatores e de papeis de gênero, de superexploração, como a gente já viu pela teoria da reprodução social.

A comunidade Lgbt precisa avançar em relação a pessoas bissexuais. Eu não quero ter “sair do armário” a cada relacionamento que tenho, por minha sexualidade estar sempre em teste.Não acreditar na nossa existência e ser indivisível dentro da comunidade lgbt é uma violencia. Precisa avançar mais ainda na compreensão de que quando não pauta raça, classe, anticapitalismo se torna incapaz de nos torna livres. É sistemático que pessoas trans, travestis tenho menos acesso a escolaridade e ao mesmo tempo o Brasil ser o que mais mata essa população. A libertação total dessa sociedade, a libertação total da nossa comunidade precisa ser a nossa principal pauta.

 
 
 

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