Violência nossa de cada dia (por Elton Guilherme)
- Dequebra Podcast
- 7 de set. de 2020
- 2 min de leitura

Eai rapaziade, muita coletividade na quebrada?!
Em tempos de pandemia não é difícil ver a escolha direta entre quem pode viver e quem deve morrer, mas o vírus por si não escolhe um alvo específico, muitos daqueles que se julgavam intocáveis foram vítimas e contagiaram outros intocáveis, evidentemente, nem de longe isso mostra que somos iguais, muito pelo contrário, só evidencia mais ainda as desigualdades. Hoje eu ouvi de um desses meninos algo sobre a polícia “pegar” que estava sem máscaras. Houveram notícias recentes sobre abordagens da guarda municipal à vendedores camelôs com agressões físicas e abuso de autoridade, acredito que isso tenha influenciado o teor da conversação lá..., mas enfim, não falou diretamente comigo e nem exatamente nessas palavras mas ecoou de forma gritante na minha cabeça que a única reação que tive foi fingir que não ouvi. Depois que saí do transe, observando na marola a movimentação comecei a pensar em liberdade, olha que louco?! É um desafio do caralho ser livre na periferia e se pá, nem rola. Ela é limitada em espaço e oportunidades, ou seja, já existe um confinamento. Se os bagulho era ruim antes, agora tá pior e vai piorar muito mais e sabe porquê?! Porque nesse contexto de pandemia e isolamento os governos se utilizam de estratégias e mecanismo de segurança que sempre beiraram a exceção para meninos como estes. E lá (quer dizer aqui) eu não queria saber por que uns estavam de máscara e outros não, se usavam álcool em gel, se lavavam as mãos ou trocavam os sapatos quando entravam em casa. Queria saber mesmo era sobre àquelas conversações, o que levou ele(s) a pensarem isso. O que viram ou ouviram, onde e quando, sabe?! Mas não consegui perguntar, me faltava palavras... Saí pra empinar às uma hora e eles já estavam lá, nem sei se almoçaram etc etc etc... Todos atentos, esperando qualquer pipa ser cortada para saírem em disparada atrás, com máscara ou sem, descalços, sol quentes... vish... aí, juntando o útil com o desagradável, lembrei do que um amigo me disse: “nunca haverá igualdade no capitalismo, isso começou muito antes da gente e vai terminar muito depois...”. E aí né bixo... àquela história, sempre pesa pro lado dos mais fracos, dos que tem menos: menos saúde, menos educação e menores oportunidades;
menos condições materiais, menores chances de egresso e ascensão social. Vivemos assim, imobilizados, segregados, distanciados, marginalizados tudo isso por metro quadrado. Enfim, confinados! Privados de liberdade porque algo ou alguém irá nos “pegar” se tentarmos por meios lícitos ou não, utilizar de nossa liberdade para se inserir naquilo que chamam de Bem-Estar-Social. Liberdade para estes meninos, já! Que eles possam viver sem medo e que eles possam voar tão alto quantos essas pipas. Eles, sou eu. É meu irmão. Minhas irmãs. Meus vizinhos. Os crias e as crianças da comunidade. Será se já paramos pra ouvir o que meninos como esses falam?!
Agora sim, fim, sigam as recomendações da OMS, é importante demais nesse momento!
Elton Guilherme





Comentários